Prefeito de Sorocaba é afastado por suspeita em contratos da Saúde
Prefeito de Sorocaba é afastado por 180 dias após operação da PF que apura irregularidades em contratos da Saúde.
O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), foi afastado do cargo por 180 dias, por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nesta quinta-feira (6). A medida foi tomada no âmbito da segunda fase da Operação Copia e Cola, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos em contratos da área da Saúde.
A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão preventiva. Entre os alvos está o empresário Marco Silva Mott, apontado como lobista ligado ao prefeito e suspeito de atuar na lavagem de dinheiro por meio de contratos municipais. Foram ainda aplicadas medidas como sequestro de bens no valor de R$ 6,5 milhões, suspensão de funções públicas e proibição de contato entre os investigados.
Um mandato marcado por visibilidade e polêmicas
Rodrigo Manga foi eleito em 2020 e reeleito no primeiro turno das eleições de 2024, com mais de 263 mil votos. Ficou conhecido como o "prefeito tiktoker", ao transformar suas redes sociais em vitrines de divulgação de obras, usando bordões como: “Vem morar em Sorocaba, vamos fazer a melhor cidade do Brasil para se viver”.
Com mais de 7 milhões de seguidores no Instagram e TikTok, Manga usava vídeos curtos e chamativos para comunicar ações da Prefeitura, prática que chamou a atenção de especialistas e do Ministério Público, que passou a investigar possíveis conteúdos de desinformação e uso de servidores comissionados para produzir vídeos de natureza política.
Suspeitas anteriores na Educação
Apesar do foco atual estar na Saúde, a gestão Manga já estava sob análise do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) por possíveis irregularidades na Secretaria da Educação. Em 2023, o MP pediu o bloqueio de bens do prefeito e de outros agentes públicos envolvidos na compra de kits de robótica por R$ 26 milhões, com indícios de superfaturamento e direcionamento de licitação.
Outro caso investigado envolve a compra de um prédio para sediar a Secretaria de Educação, no bairro Campolim, por R$ 10 milhões acima do valor de mercado. Embora Manga não tenha sido réu nesse processo, dois secretários da gestão foram condenados, com penas que ultrapassam os 20 anos de prisão, atualmente recorrendo em liberdade.
O que diz a defesa
Em nota, os advogados de Rodrigo Manga classificaram o afastamento como “ilegal e sem fundamentos concretos”. Segundo a defesa, a medida é fruto de perseguição política e foi tomada com base em “ilações” sobre supostos fatos de 2021, sem risco atual ao exercício do mandato.
A nota afirma ainda que todas as medidas jurídicas cabíveis estão sendo tomadas para reverter a decisão e restabelecer o mandato do prefeito, eleito de forma legítima nas urnas.
Transição e próximos passos
Com o afastamento, quem assume interinamente o comando da Prefeitura é Fernando Neto (PSD), atual vice-prefeito. A Polícia Federal continuará analisando os documentos e materiais apreendidos durante a operação. Novas fases não estão descartadas.
A repercussão do caso pode impactar diretamente o cenário político de Sorocaba nos próximos meses, sobretudo pelo envolvimento de nomes próximos ao chefe do Executivo e pela visibilidade nacional que Manga construiu ao longo do mandato. O episódio reacende o debate sobre transparência, responsabilidade no uso de recursos públicos e os limites entre comunicação institucional e marketing político.

