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16 de dezembro de 2025 |
Redação OJ

Automutilação incentivada online: caso acende alerta às famílias

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Automutilação incentivada online: caso acende alerta às famílias

A recente prisão de um jovem de 18 anos em Santa Catarina, acusado de incentivar a automutilação de menores pela internet, reacendeu um debate urgente sobre a

A recente prisão de um jovem de 18 anos em Santa Catarina, acusado de incentivar a automutilação de menores pela internet, reacendeu um debate urgente sobre a segurança digital de crianças e adolescentes. A ação foi conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, por meio da 3ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (Deic), e identificou ao menos 30 vítimas com idades entre 10 e 15 anos.

Como funcionava o aliciamento online

O acusado utilizava plataformas como Discord, Telegram e chats de jogos online para se aproximar de menores. Com perfis anônimos, ganhava a confiança das vítimas e depois as conduzia para grupos fechados, onde enviava instruções detalhadas para automutilação, como cortes com objetos cortantes e símbolos desenhados no corpo.

Em um dos casos investigados, uma adolescente foi induzida a escrever o nome de uma autoridade policial no próprio braço. Na residência do investigado, a polícia apreendeu material digital sensível, incluindo imagens e vídeos de automutilação e pornografia infantil.

Automutilação incentivada online: um risco silencioso

Esse tipo de prática tem crescido no ambiente digital e preocupa especialistas. Trata-se de um processo de manipulação emocional e psicológica, em que jovens, muitas vezes fragilizados, são persuadidos a se ferirem como parte de desafios ou rituais virtuais.

Além disso, há casos em que os autores usam táticas de chantagem (sextorsão) para pressionar as vítimas, exigindo mais imagens ou vídeos sob ameaça de exposição pública.

O papel da família na prevenção

O episódio evidencia a importância de um acompanhamento mais próximo das atividades digitais de crianças e adolescentes. Nem sempre se trata de controlar, mas de construir confiança, diálogo e orientar sobre os riscos presentes na internet.

Especialistas em segurança digital recomendam:

  • Monitoramento ativo do uso de apps e jogos;
  • Configuração de ferramentas de controle parental;
  • Participação dos pais nas redes utilizadas pelos filhos;
  • Orientação sobre como agir diante de contatos suspeitos ou ameaças online.

O que fazer em caso de suspeita

Caso um responsável identifique sinais de automutilação ou conversas suspeitas envolvendo esse tipo de estímulo, é fundamental:

  • Conversar de forma acolhedora com a criança ou adolescente;
  • Salvar capturas de tela, áudios e links de conversas;
  • Registrar um boletim de ocorrência;
  • Procurar apoio psicológico especializado.

Informação como proteção

Casos como o da automutilação incentivada online reforçam a urgência de uma atuação mais ativa das famílias e da sociedade no combate a crimes digitais que afetam diretamente a saúde mental de jovens.

Mais do que criminalizar, é preciso informar, prevenir e oferecer suporte. A internet, apesar de suas inúmeras possibilidades, não é um ambiente neutro — e a atenção às interações virtuais pode ser decisiva para salvar vidas.

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