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2 de setembro de 2025 |
Redação OJ

Jundiaiense no mundial de quebra-cabeça: superação, estratégia e estreia internacional

Esporte
Jundiaiense no mundial de quebra-cabeça: superação, estratégia e estreia internacional

Atleta de Jundiaí disputa o Mundial de Quebra-Cabeça na Espanha após superar quatro AVCs. Conheça a história inspiradora.

Entre os dias 15 e 21 de setembro, a cidade de Jundiaí estará representada no cenário esportivo internacional de forma inusitada, mas extremamente inspiradora. Beatriz Braun Costa, de 41 anos, será a única jundiaiense no Mundial de Quebra-Cabeça , que acontecerá em Valladolid, na Espanha. A competição, que chega à sua quinta edição, reúne os melhores atletas da modalidade, totalizando 1.148 participantes de 67 países.

Beatriz faz parte da equipe brasileira e vai competir nas três categorias disponíveis: individual, duplas e equipes. Sua participação é resultado de um ciclo de treinos e classificações ao longo do último ano, organizado pela Associação Brasileira de Quebra-Cabeça.


Quebra-cabeças como reabilitação e esporte

A trajetória de Bia — como é conhecida — vai além da competição. Após sofrer quatro AVCs, ela foi orientada por seu neurologista a buscar atividades que estimulassem a memória. Foi então que encontrou nos quebra-cabeças não apenas um passatempo, mas uma ferramenta de recuperação cognitiva e, posteriormente, uma vocação esportiva.

"Quando comecei, eu tinha dificuldade de me concentrar com barulho. Hoje prefiro montar com a TV ligada. Aprendi a transformar ruídos em aliados", contou a atleta, que também atua como diretora financeira e é mãe.


Como funciona o Mundial de Quebra-Cabeça?

O campeonato é dividido em três fases: primeira rodada, semifinal e final. A categoria individual exige a montagem de um puzzle de 500 peças em até 1h30. Em duplas, o tempo cai para 1h15. Já na disputa por equipes, quatro integrantes têm três horas para completar dois quebra-cabeças de mil peças.

Os melhores de cada grupo avançam para as fases seguintes, com apenas os três melhores sendo premiados. Apesar da alta competitividade, Beatriz traça metas realistas. "Quero passar da primeira fase no individual. Se chegar à final por equipes, já será uma conquista enorme", afirmou.


Desempenho, desafios e rotina de treinos

Beatriz chegou ao Mundial após se destacar em competições nacionais, incluindo uma prova em que completou um puzzle de 500 peças em 48 minutos — o mesmo tempo de um dos melhores colocados no mundial anterior. Em abril, passou oito horas em uma maratona de montagem, conquistando o quinto lugar com sua equipe.

Mesmo com bons resultados, os desafios persistem. O alto custo de competições presenciais e a falta de patrocínio afastam muitos atletas. "Tudo sai do nosso bolso. A primeira pergunta feita pela Associação é se o atleta consegue bancar os custos", relata.


Reconhecimento internacional e os próximos passos

A modalidade de quebra-cabeça competitivo cresce em visibilidade na Europa, onde já há atletas profissionais que vivem exclusivamente disso. No Brasil, a realidade ainda é de pouca divulgação e reconhecimento. Mesmo assim, Beatriz se destaca pela perseverança e foco.

Após o Mundial, ela já tem presença confirmada no Campeonato Brasileiro, em outubro, em São Paulo, e no Torneio Internacional da Colômbia, em janeiro de 2026.


De Jundiaí para o mundo, uma peça por vez

A história de Beatriz Braun Costa é um exemplo de como esporte, saúde e superação podem se unir em trajetórias inspiradoras. Como única jundiaiense no mundial de quebra-cabeça, ela leva não apenas o nome da cidade, mas também uma mensagem de resiliência e dedicação. Cada peça montada é uma conquista — e Jundiaí estará torcendo por ela.

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