Economia desacelera e comércio de Jundiaí acende alerta
PIB brasileiro cresce só 0,4%% no 2º tri de 2025. Sincomercio Jundiaí alerta comércio local sobre impacto da desaceleração.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu apenas 0,4% no segundo trimestre de 2025, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração expressiva em relação ao crescimento de 1,3% registrado no primeiro trimestre do ano.
A análise, divulgada pelo Sincomercio Jundiaí e Região, reforça a preocupação com o desempenho do comércio varejista, que registrou estagnação (0%) no período, mesmo com avanço nos serviços e na indústria.
PIB mostra sinais de perda de fôlego
Segundo o IBGE, entre os três grandes setores da economia, a agropecuária recuou 0,1%, a indústria avançou 0,5% e os serviços cresceram 0,6%. No entanto, o comércio, dentro dos serviços, não apresentou crescimento algum entre abril e junho.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 0,5%, sustentando parte do desempenho econômico geral. Já o consumo do governo caiu 0,6% e os investimentos (formação bruta de capital fixo) recuaram 2,2%, sinalizando menor disposição do setor produtivo para ampliar capacidade.
No comércio exterior, as exportações subiram 0,7% e as importações caíram 2,9%, o que contribuiu positivamente para o saldo da balança, mas sem impulso suficiente para reverter a desaceleração geral.
Crescimento anual também perde ritmo
Na comparação com o segundo trimestre de 2024, o PIB brasileiro cresceu 2,2%. Apesar de positivo, esse é o pior resultado interanual desde o primeiro trimestre de 2022, ainda sob efeito da pandemia.
O avanço foi puxado, principalmente, pela agropecuária (+10,1%), enquanto a indústria subiu 1,1% e os serviços 2,0%. O comércio, mais uma vez, teve desempenho abaixo da média, com alta de apenas 1,1%.
No acumulado de 12 meses até junho, o PIB avançou 3,2%, abaixo dos 3,5% observados até março, refletindo uma tendência de desaceleração prolongada.
Sincomercio Jundiaí alerta para riscos no segundo semestre
Para o assessor econômico Jaime Vasconcelos, do Sincomercio Jundiaí e Região, o cenário já era esperado. “A taxa de juros elevada tem sido um freio necessário à inflação, mas inevitavelmente reduz o consumo e os investimentos, dificultando a retomada mais robusta da economia”, avalia.
Ele destaca que o consumo das famílias foi o principal pilar do crescimento neste trimestre, graças ao mercado de trabalho ainda aquecido, apesar do endividamento e da inadimplência elevados.
Já o presidente da entidade, Edison Maltoni, fez um alerta direto aos empresários do setor varejista da região: “Um sinal amarelo deve ser ligado. O comércio não cresceu neste segundo trimestre e há uma tendência de que essa desaceleração continue nos próximos meses, mesmo com o impulso típico do fim de ano.”
Maltoni enfatiza a necessidade de planejamento financeiro e gestão de caixa. “Com juros altos persistindo, o crédito seguirá caro, e os empresários precisam estar atentos à saúde financeira dos seus negócios para garantir liquidez e fôlego durante o segundo semestre”, afirma.
Planejamento e prudência no varejo local
Com a aproximação de datas importantes para o varejo — como a Black Friday e o Natal —, o Sincomercio reforça a importância de ações estratégicas nas empresas da região. O cenário macroeconômico exige mais do que nunca uma gestão prudente de estoques, equipe e investimentos.
Embora o mercado de trabalho siga dando sustentação ao consumo, a falta de crescimento no comércio aponta para uma sensação de cautela no consumo das famílias, pressionadas por juros altos, inflação resistente e crédito mais restrito.


