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3 de março de 2025 |
Redação OJ

O Brasil venceu o Oscar. E agora?

Cultura
O Brasil venceu o Oscar. E agora?

Brasil vence o Oscar com Ainda Estou Aqui, mas e agora? Essa vitória muda o jogo ou é só um brilho passageiro?

Ainda Estou Aqui fez história. Pela primeira vez, um filme brasileiro levou o Oscar de Melhor Filme Internacional. Era esperado? Sim. Mas isso muda tudo? Ainda não.

O Brasil tem talento de sobra, mas ainda engatinha quando o assunto é reconhecimento global no cinema. A vitória do filme de Walter Salles é gigantesca, mas ela não resolve o problema central: o que vem depois?

O efeito Oscar: ilusão ou oportunidade?

A estatueta dourada pode abrir portas para novas produções brasileiras, mas também pode ser apenas um momento isolado—um brilho passageiro antes de voltarmos à realidade. Afinal, quantos diretores brasileiros realmente conseguem espaço para competir de igual para igual com Hollywood?

Nos últimos anos, a Academia ampliou o número de votantes estrangeiros, incluindo nomes como Walter Salles, Selton Mello e Fernanda Montenegro. Isso ajudou a colocar Ainda Estou Aqui no radar do Oscar. Mas será que isso significa que o Brasil está, de fato, no jogo?

Foto: Arturo Holmes/Wireimage
Foto: Arturo Holmes/Wireimage

A vitória que queríamos (mas não a que esperávamos)

A verdade é que o grande sonho do público brasileiro era ver Fernanda Torres levando o Oscar de Melhor Atriz. Depois da injustiça cometida contra sua mãe, Fernanda Montenegro, em 1999, esse prêmio teria um peso simbólico enorme. Mas, como já era de se esperar, Hollywood seguiu seu padrão: a estatueta foi para a atriz mais jovem entre as indicadas, Mikey Madison, de 25 anos, pelo filme Anora.

Mikey Madison vence Oscar de Melhor Atriz por Anora. Foto: Carlos Barria/Reuters
Mikey Madison vence Oscar de Melhor Atriz por Anora. Foto: Carlos Barria/Reuters

Demi Moore, que também concorria, já havia alertado que o Oscar evita premiar atrizes mais velhas e ignora filmes de terror. Dito e feito. Isso só reforça que, apesar da vitória brasileira, a Academia continua funcionando dentro das mesmas regras de sempre.

O Brasil vai continuar no mapa?

O Oscar de Ainda Estou Aqui prova que o cinema brasileiro pode, sim, competir no mais alto nível. Mas uma vitória não é o suficiente para garantir um futuro promissor. O Brasil já teve filmes indicados antes e, depois da euforia, nada realmente mudou.

A pergunta que fica é: vamos transformar esse prêmio em uma virada de jogo para o nosso cinema ou só vamos comemorar e esperar mais 25 anos para voltar ao palco do Oscar?

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